Persistência
é a palavra de ordem quando alguém decide aprender algo novo. Mas essa palavra
se torna uma ação, quando uma pessoa com deficiência visual decide aprender a
dançar. A escola Dançaria, passos e compassos oferece esse tipo de aulas na
Vila Mariana, em São Paulo. Nelas os alunos não copiam
do professor, eles apenas ouvem qual movimento que tem quer ser feito e fazem.
E além da persistência, é
necessário contar com a memória. “Tem pessoas que aprendem um passo hoje e na
semana que vem quando aprende outro, esquece aquele que aprendeu. A dança que a
gente faz aqui não mexe só com o corpo, mexe com a mente também, diz Marcia que
tem baixa visão e aprendeu a dançar em 2011”.
A ideia de aula da professora Solange Gueiros, “penso, logo
danço”, surgiu depois que ela sofreu um acidente, e ficou com dois pés
imobilizados, e teve que ensinar apenas falando os movimentos. “Comecei a ministrar essas aulas para incluir
socialmente essas pessoas e fazer diferença, e para mostrar para eles que só
não enxergam, mas podem fazer tudo”.
Quando se perde qualquer um dos sentidos básicos, como a visão, o
corpo tem que se adaptar. Quando
Nadir Henrique ficou cego aos 32 anos, a mais simples das atividades era feita
com medo. “No começo, foi difícl pegar o ritmo das músicas, e o equilíbrio foi
outro desafio, tem que girar, e as direções eu fui pegando com o tempo.”
A perda total ou parcial da visão significa mudança na rotina, mas
isso não quer dizer que mude para lado ruim, pode significar uma abertura para
novas perspectivas, como aconteceu com Néia Felipe. Em 2007, ela teve artrite reumatoide, que causou o cobrimento
e uma claridade excessiva nas retinas. Depois desse problema, ela aprendeu a dançar
e atuar, participou de peças, e com isso conseguiu vencer sua timidez de se
apresentar em público.
“Independente se a pessoa enxerga ou não,
gostar ou não gostar, tem que pelo menos experimentar a dança, se não confirmar
abandona, mas acredito que a maioria vai ficar”, aconselha Damir Ribeiro que
ficou cego aos 40 anos, depois de ter glaucoma nos dois olhos.
Solange completa, “A dança melhora
o direcionamento, equilíbrio e aumenta a autoestima. E não quis levar o curso
para perto dos deficientes, porque quis que eles se deslocassem até o aqui para
que tivessem uma convivência com pessoas que veem.”
Muito bacana como a música pode mudar e integrar as pessoas. Parabéns pela reportagem.
ResponderExcluirObrigada Bruno
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